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O acentuar das desigualdades de remuneração em Portugal no sector privado
No período de mais de vinte anos entre os anos de 1985 e de 2009, as remunerações médias dos trabalhadores do sector privado em Portugal conheceram um acréscimo de 74%. Contudo, esse aumento não ocorreu de igual forma para todos os trabalhadores: os trabalhadores com as remunerações mais elevadas acumulam agora uma fatia ainda mais importante da remuneração total, enquanto os trabalhadores com remunerações intermédias viram a parte que a sua remuneração representa diminuir.


Na Figura 1 é possível observar a remuneração base média e os limiares S20 e S80 em 1985, 1989, 1995, 2000, 2005 e 2009 (os valores não dizem, portanto,  respeito a uma série temporal, mas a determinados momentos ao longo do período considerado) . Se, por um lado, a remuneração média aumentou, passando de 483 Euros para 839 Euros, por outro lado a figura chama a atenção para o aumento da distância entre o S20 e a remuneração média [1]. Enquanto no caso dos 20% de trabalhadores com as remunerações mais elevadas, o valor do limiar (S80) se manteve praticamente inalterado em relação ao valor da média (123% do valor da média em 1985; 121% em 2009), no caso dos 20% de trabalhadores com remunerações mais baixas, o valor do limiar (S20) que, em 1985 correspondia a 65% do valor da média, passou para 54% em 2009.



O Quadro 1 refere-se ao rácio S80/S20 e à proporção da remuneração total auferida pelos quintis da população trabalhadora. Em 1985 os 20% de trabalhadores com as remunerações mais elevadas detinham uma parte da remuneração 3,4 superior à dos 20% de trabalhadores com as remunerações mais baixas. Em 2009 esse rácio é de 4,2, o que significa que as desigualdades entre os que têm as remunerações mais elevadas e os que têm as remunerações mais baixas se acentuaram.

Por outro lado, o Quadro 1 permite-nos também dar conta da perda de importância das remunerações intermédias: em 1985 os trabalhadores pertencentes ao segundo quintil acumulavam 14,2% da remuneração total e os do terceiro quintil 17,6%; em 2009 essas percentagens passaram para 11,8% e 14,6%, respectivamente. Em contrapartida, os trabalhadores com as remunerações mais elevadas (quinto quintil) passaram a agregar quase 44% da remuneração total em 2009.
 


Os quadros 2 e 3 apresentam a remuneração média e respectivo desvio padrão por quintil e por ano. Por um lado, é possível constatar que foi no quinto quintil que a remuneração média mais aumentou, com uma taxa de variação de 109% entre 1985 e 2009 (de 880 Euros passou para 1.843 Euros). Por outro lado, os valores do desvio padrão dão conta da maior dispersão remuneratória existente nesse mesmo quintil. Ou seja, é entre os trabalhadores com as remunerações mais elevadas que se observa também as maiores desigualdades internas. Pelo contrário, no caso dos trabalhadores com as remunerações mais baixas (primeiro quintil), o valor do desvio padrão diminuiu, representando apenas 10 Euros em 2009.

O Quadro 2 permite também confirmar a perda salarial dos trabalhadores com remunerações intermédias: é no segundo e no terceiro quintil que a taxa de variação da remuneração média entre 1985 e 2009 é mais reduzida (44,1% e 44,3%, respectivamente).






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