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Custos unitários do trabalho e produtividade num país de baixos salários
Os salários em Portugal são comparativamente baixos.


Os custos unitários do trabalho, que correspondem ao rácio entre as remunerações por trabalhador e a produtividade, diminuíram nos últimos anos em Portugal. Em 2010 verificou-se uma diminuição de 1,5% face a 2009, a qual teve na sua base um aumento de 3% da produtividade e um crescimento da remuneração por trabalhador de 1,4%. A diminuição dos custos unitários de trabalho em 2011 resultou de uma diminuição de 0,9% das remunerações dos trabalhadores e de uma queda da produtividade de 0,1%. Entre 2007 e 2011 a taxa de variação anual dos custos unitários de trabalho diminuiu mais em Portugal do que na Área Euro: -1,7 pontos percentuais (p.p.) em 2011, -0,6 p.p. em 2010, -1,1 p.p. em 2009, -0,2 p.p. em 2008 e 2007.

O aumento dos custos unitários do trabalho em Portugal ao longo de grande parte do período analisado no Quadro 1 decorre de um aumento mais do que proporcional das remunerações em relação à produtividade. Apesar de na Área Euro se ter verificado um aumento anual deste custo, essa tendência foi menos ampla do que em Portugal, em grande medida devido a uma subida anual das remunerações, em geral, comparativamente mais baixa. Quanto às taxas anuais de produtividade, Portugal regista na maior parte dos anos analisados no Quadro 1 um desempenho mais favorável do que o da Área Euro.

 

No Quadro 2 é possível observar a evolução dos custos unitários do trabalho em sete países da Área Euro tendo como referência o ano de 1999. Em 1995 os custos unitários do trabalho em Portugal representavam 96% do valor desse indicador em 1999. Em 2011 verifica-se um aumento de 4% em relação a esse período de referência. À excepção da Alemanha, país no qual os custos unitários do trabalho diminuíram mais de 15% face a 1999, nos restantes países em causa no Quadro 2 o aumento do valor deste indicador foi superior ao registado em Portugal: 6% em Espanha, 5,3% em França, 8,5% na Grécia, 14,5% na Irlanda e 7,9% em Itália. Em termos médios, os custos unitários do trabalho na Área Euro estavam em 2010 e em 2011 muito próximos do apurado em 1999.

 

Portugal apresenta um nível de produtividade por hora trabalhada que representa menos de metade do observado da Área Euro: 16,5 euros para 36,5 euros. Esta diferença é mais acentuada quando a comparação é feita directamente com países como a Irlanda, a Holanda, a França, a Alemanha ou a Finlândia. Para além de apresentar uma produtividade comparativamente baixa, Portugal não tem conseguido diminuir de modo significativo esse hiato em relação à generalidade deste conjunto de países: veja-se que, entre 2005 e 2011, o aumento percentual da produtividade por hora trabalhada em Portugal foi apenas ligeiramente superior face ao registado em termos médios na Área Euro.

 

Os custos unitários de trabalho são determinados pela relação entre a produtividade e os custos com o factor trabalho (salários e contribuições para a segurança social). A sua diminuição pode ser potenciada pelo aumento da produtividade e/ou pela diminuição desse factor. O Gráfico 1 demonstra que Portugal é um dos países da UE-27 em que o custo do trabalho é mais baixo, pelo que as vantagens comparativas da sua economia dificilmente poderão passar pela diminuição desse custo.

De facto, os custos laborais por hora de trabalho em Portugal, nas empresas com 10 ou mais trabalhadores, fixaram-se em 2011 nos 12,1 euros. Este valor é cerca de metade do auferido em termos médios nos países da UE-27 e muito aquém do verificado em países como a Bélgica, a Suécia e a Dinamarca, nos quais o custo laboral por hora era próximo de 40 euros. Na Noruega o valor deste indicador é 44,2 euros. Em França, na Alemanha, no Luxemburgo e na Holanda este indicador situou-se também acima dos 30 euros. Nos países que integraram a UE a partir de 2004 os custos laborais por hora de trabalho são ainda mais reduzidos do que em Portugal: em oito destes países o custo laboral por hora de trabalho é inferior a 10 euros, sendo de apenas 3,5 euros Roménia e de 4,2 euros na Bulgária.

                         

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