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Indicadores


Mais ricos em Portugal no topo da distribuição mundial dos rendimentos
O rendimento dos 1% em Portugal está ao nível do rendimento dos 1% mais ricos nos Estados Unidos e no Brasil.


O Gráfico 1 contém informação acerca da posição ocupada por subconjuntos da população da Índia, China, Brasil, Portugal e Estados Unidos na distribuição mundial do rendimento.  Em coluna surge uma escala relativa à distribuição mundial do rendimento (eixo do Y). Em linha surge uma escala respeitante à distribuição do rendimento nos cinco países analisados. Em ambos os eixos a estrutura da distribuição do rendimento tem por base subconjuntos da população que representam 1% da mesma (percentis).

A informação deste gráfico baseia-se em dados referentes ao rendimento dos habitantes do planeta, dados esses que são recolhidos a nível nacional. A partir da agregação e harmonização dessa informação, definiu-se a distribuição do rendimento mundial por subgrupos de 1% da população mundial. No 1º percentil estão os 1% mais pobres do planeta, enquanto no percentil 100 estão os 1% mais ricos do planeta. Esta é a informação do eixo do Y. No eixo do X a escala é a mesma, mas o universo de referência é o país.

A partir da análise do Gráfico 1 é possível concluir que o grupo dos 1% mais pobres em Portugal tem um nível de rendimentos que o coloca no percentil 34/35 da distribuição mundial do rendimento. Ou seja, quem ocupa a base da distribuição do rendimento em Portugal posiciona-se, aproximadamente, no limiar superior do primeiro terço da distribuição mundial do rendimento. Outro exemplo: o percentil 40 em Portugal corresponde, sensivelmente, ao percentil 80 da distribuição mundial. Esta desproporção atenua-se quando se analisam os percentis da segunda metade da distribuição do rendimento em Portugal: a população portuguesa que se posiciona no percentil 90 na distribuição interna do rendimento integra-se no percentil 80 da distribuição mundial desse recurso. De destacar o facto de os 1% mais ricos em Portugal integrarem o grupo dos 1% mais ricos a nível mundial, tal como os 1% mais ricos dos Estados Unidos e do Brasil. Isto significa que, no seu conjunto, o rendimento dos 1% em Portugal está ao nível do rendimento dos 1% mais ricos nos Estados Unidos e no Brasil.

Da análise do gráfico é possível concluir que as populações que integram os percentis mais pobres da Índia, Brasil e China ocupam também as posições mais baixas na distribuição mundial do rendimento. Veja-se que os 1% mais pobres destes países (ver eixo do X) integram-se no grupo dos 1% mais pobres a nível mundial (ver eixo do Y). Embora os mais pobres dos mais pobres destes três países ocupem uma posição semelhante na distribuição mundial do rendimento, tal não acontece quando se analisam os outros subconjuntos da população. Em termos gerais, a posição ocupada por um habitante da índia na distribuição mundial do rendimento é inferior à ocupada na distribuição nacional do rendimento. A título de exemplo, veja-se que o rendimento do percentil 60 da índia corresponde ao rendimento do percentil 30 da distribuição mundial. No caso do Brasil, à excepção dos percentis mais pobres, a sua população tende a ocupar na distribuição mundial do rendimento posições mais elevadas do que na distribuição nacional desse recurso económico. Essa tendência é muito clara quando se analisam os percentis da primeira metade da distribuição do rendimento: por exemplo, o percentil 25 do Brasil integra o percentil 55 da distribuição mundial do rendimento. Relativamente à China, parece existir uma correspondência bastante próxima entre a estrutura interna de distribuição dos rendimentos e a estrutura mundial. Ou seja, a população chinesa que no plano interno se posiciona num dado percentil de rendimento tende a ocupar uma posição semelhante na distribuição mundial desse recurso.   Mas se se analisar os percentis do topo da distribuição do rendimento na China (por exemplo, os 1% mais ricos), conclui-se que a sua posição na distribuição mundial se fica, sensivelmente, pelo percentil 90. Isto significa que, no seu conjunto, os 1% mais ricos da China têm um volume de rendimento inferior, por exemplo, ao dos 1% mais ricos em Portugal, nos Estados Unidos e no Brasil.



NOTA: Esta informação foi generosamente facultada ao Observatório das Desigualdades por Branko Milanovic. Ver recensão do livro The Haves and the Have-Nots, do qual Milanovic é autor.

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