Os países em desenvolvimento concentram 98% das pessoas subnutridas. Em cada seis segundos, morre uma criança no planeta devido a problemas relacionados com a subnutrição. Existem 19 milhões de subnutridos nos países desenvolvidos.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que entre 2009 e 2010 o número de pessoas subnutridas a nível mundial diminuiu de 1.023 mil milhões para 925 milhões – a primeira descida num período de quinze anos. De acordo com a organização, este facto deveu-se à melhoria das condições económicas nos países em desenvolvimento e à diminuição dos preços dos alimentos face a 2008.
A Ásia e o Pacífico é a zona com um maior número de pessoas subnutridas, embora a África Sub-sahariana seja a mais afectada por este flagelo em termos relativos: 30% da sua população. Neste relatório preliminar, é referido que 2/3 da população mundial subnutrida concentra-se em sete países (Bangladesh, China, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia e Paquistão), sendo que a China e a Índia agregam em conjunto 40% do número de pessoas que a nível mundial se encontram nesta situação.

Apesar da diminuição estimada de 98 milhões de pessoas subnutridas entre 2009 e 2010, 16% da população dos países em desenvolvimento era, neste último ano, afectado pelo problema da subnutrição. Este resultado indica que muito dificilmente se poderá cumprir a primeira das metas definidas nos Objectivos do Milénio: a diminuição para metade (de 20% para 10%) da população mundial subnutrida, entre 2000 e 2015.
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Declarações de Jacques Diouf, director-geral da FAO, a propósito dos dados publicados neste relatório:
(…) Com quase mil milhões de pessoas subnutridas, a fome é e continua a ser inaceitável. O facto de uma criança morrer em cada seis segundos devido a problemas relacionados com a subnutrição é a maior tragédia e escândalo mundial.
(…) Para além de melhorar as redes de segurança e os programas de protecção social para assim se ajudar os mais vulneráveis e necessitados, a solução de longo prazo para a segurança no aprovisionamento de alimentos passa pelo investimento na agricultura nos países em desenvolvimento, para que eles possam produzir os alimentos necessários a uma população mundial estimada em 2050 superior a nove mil milhões de pessoas. Neste sentido, políticas estáveis e efectivas, mecanismos regulatórios e institucionais e infra-estruturas de mercado funcionais que promovam o investimento no sector agrícola são fundamentais” (tradução própria).
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Fotografia de Munir Uz Zaman, publicada no site da FAO.