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Notícias e Entrevistas


publicado em:  5 Novembro 2010
Melhoria do desenvolvimento humano num mundo ainda muito desigual

Vinte anos após ter sido publicado pela primeira vez, o "Human Development Report" de 2010 conclui que o nível de desenvolvimento da humanidade tem aumentado significativamente nas últimas décadas.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2010 era 18% superior ao verificado 1990 e 41% comparativamente a 1970. Dos 135 países com compõem a amostra deste estudo, que representam 92% da população mundial, apenas na República Democrática do Congo, Zimbabué e Zâmbia o valor deste índice é inferior ao apurado para 1970. O IDH sintetiza numa única medida estatística o nível de desenvolvimento humano dos países na área da saúde, educação e nível de vida, e o seu aumento médio nas últimas décadas decorre da evolução positiva dos indicadores que o compõem. De facto, a esperança média de vida no mundo aumentou de 59 anos em 1970 para 70 anos em 2010; a taxa de participação no sistema de ensino básico subiu de 55% para 70%; e o produto interno bruto per capita dos países duplicou.

O aumento desta medida foi mais significativo nos países em desenvolvimento (23%) do que nos países desenvolvidos (7%) no período 1990-2010, principalmente no que diz respeito aos indicadores de educação e riqueza. Nesse período as duas regiões do globo que registam uma evolução mais pronunciada são o Este Asiático e o Pacífico (crescimento do IDH de 35%) e o Sul da Ásia (aumento de 31%). Se o universo temporal de referência for o intervalo 1970-2010 a expressão desta tendência reforça-se: por exemplo, o valor médio do IDH para a região do Este Asiático e o Pacífico aumentou 96% nesse intervalo temporal.

Apesar destas melhorias, o relatório faz menção a um vasto conjunto de indicadores que ajudam a relativizá-las. Por exemplo: menos de 1% da mortalidade infantil ocorre nos países desenvolvidos; menos de 1% é também o valor da população mundial sub-nutrida que vive nos países desenvolvidos – para 63% na região da Ásia e Pacífico e 26% na África Sub-Sahariana; a esperança média de vida nos países desenvolvidos é superior à verificada na África Sub-Sahariana em 28 anos (80 para 52 anos).

A dimensão e o aprofundamento das assimetrias ao nível da riqueza são também expressivas: entre 1970 e 2010 o rendimento per capita médio aumentou 2,3% nos países desenvolvidos e 1,5% nos países em desenvolvimento; enquanto em 1970 o quarto dos países mais ricos detinha uma riqueza 23 vezes superior à dos países que se encontravam no grupo dos 25% mais pobres, em 2010 esse hiato aumentou para 29 vezes. Mesmo a China, cujos níveis de crescimento económico se têm situado bastante acima do verificado nos países desenvolvidos, tem um PIB per capita que corresponde a 1/5 da média deste indicador naqueles países.

Uma das conclusões mais interessantes deste relatório prende-se com a ideia de que o crescimento económico das últimas décadas e a melhoria observada nos indicadores na área da saúde e da educação não se associam de forma evidente. Na verdade, o aumento da riqueza nos países em desenvolvimento nas últimas décadas não implicou um aumento correspondente na esperança de vida ou nos níveis de educação das suas populações. Ou seja, o aumento da riqueza dos países nem sempre se repercutiu na melhoria da esperança de vida, na taxa de participação escolar ou nos níveis de alfabetização.

De acordo com o relatório existe, isso sim, uma associação bastante forte entre o nível de desenvolvimento económico dos países e os indicadores do IDH não-económicos. Tal como volta a ser demonstrado, os países que têm um IDH considerado “muito elevado” são essencialmente os que provêm da União Europeia e/ou da OCDE. A Noruega, Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Irlanda ocupam os primeiros lugares, enquanto Portugal se fica pelo 40º. Moçambique e a Guiné-Bissau são o 5º e 6º país pior classificados, respectivamente.

Este relatório inclui três novos indicadores: o índice de desigualdade de género, a desigualdade ajustada ao IDH e o índice multidimensional de pobreza. No caso deste último, é de destacar que de acordo com os parâmetros usados para definir a situação de pobreza (um conjunto de dez indicadores relativos à saúde, educação e nível de vida) existem 1.75 mil milhões de pobres no mundo – valor acima dos 1.44 mil milhões estimados pelo Banco Mundial, que considera em situação de pobreza todas as pessoas que vivem com menos de 1.25 dólares por dia.


Fotografia de Saikat Mukherjee/UNDP.

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