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Notícias e Entrevistas


publicado em:  15 Abril 2011
O aumento do preço dos alimentos penaliza os países pobres

No dia 14 de Abril de 2011, em conferência de imprensa, Robert B. Zoellick, Presidente do Banco Mundial, apresentou o último relatório Food Price Watch e manifestou a sua preocupação acerca dos preços elevados e voláteis dos alimentos no mundo. São os países mais pobres que mais são penalizados com o aumento do preço dos produtos alimentares de base.      

O último relatório Food Price Watch do Banco Mundial revela que nos seis meses anteriores, os preços mundiais do trigo, do milho, do açúcar e dos óleos alimentares conheceram fortes aumentos, enquanto os do arroz registaram um aumento relativamente mais baixo. Em vários países, o aumento dos preços mundiais do trigo levou a um grande aumento dos preços internos. Entre Junho e Dezembro de 2010, o preço do trigo aumentou fortemente no Quirguistão (54%), no Tajiquistão (37%), Mongólia (33%), Sri Lanka (31%), Azerbaijão (24%), Afeganistão (19%), Sudão (16%) e Paquistão (16%). Em muitos destes países, os produtos derivados do trigo constituem uma parte importante da ração calórica consumida pela população, nomeadamente os pobres.

Os preços elevados e voláteis da alimentação são, segundo Zoellick, a maior ameaça com que são confrontados os pobres do mundo inteiro. A forte inflação dos produtos alimentares conjugada com as flutuações dos preços e com o custo elevado dos combustíveis origina uma mistura tóxica que produz sofrimentos reais e que contribui para os distúrbios sociais. Os preços dos alimentos são, para Zoellick, uma agravante das crises que recentemente eclodiram no Médio Oriente e no Norte de África.

“Dados de 46 países entre 2007 e 2010 sugerem que os países com níveis de rendimento baixos e médios-baixos experienciaram níveis mais elevados de inflação do preço da alimentação em comparação com os países com níveis médios-altos e altos de remuneração”, referiu Zoellick. E os números sobre a pobreza mostram que o aumento dos preços desde Junho de 2010 fez mergulhar em situações de pobreza extrema cerca de 44 milhões de pessoas em países com níveis de rendimento baixos e médios-baixos.

Para Zoellick, há formas de remediar esta situação, nomeadamente através de uma actuação em colaboração com o G20, presentemente presidido pela França. Elaboração de novos códigos de conduta para os países com interdições de exportação, informações sobre a qualidade e quantidade dos alimentos, apoio à criação de stocks de alimentos em cenários de crise humanitária, ajuda aos países na gestão dos riscos no domínio agrícola, desenvolvimento de programas de alimentação e protecção social eficazes, são algumas das medidas apontadas.

Nota: imagem retirada do relatório Food Price Watch de Fevereiro de 2011.
 

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