Em Portugal, cerca de 46% dos alunos provenientes de famílias com uma situação socioeconómica considerada desfavorável obtiveram uma performance elevada a ciências. Este é um valor superior ao registado em termos médios nos países da OCDE (39,0%). A Finlândia destaca-se claramente dos demais países, alcançando para este indicador um valor de 66,6%. O resultado para a Coreia do Sul, Japão e Canadá é também superior a 50%. Pelo contrário, nos Estados Unidos, Luxemburgo, Islândia, Noruega e México este tipo de performance resiliente é inferior a 30% (ver nota metodológica).
Os desempenhos resilientes tendem a verificar-se em mais do que uma área de conhecimento. Em Portugal, 52,8% dos alunos resilientes a ciências também o eram no domínio da matemática e da leitura, 21,2% eram-no apenas na área da matemática, 12,6% na área da leitura e somente 13,5% dos alunos resilientes a ciências não o eram em nenhuma das outras duas áreas disciplinares.
Apesar de em Portugal ser elevada a proporção de alunos que, tendo uma proveniência socioeconómica desfavorável, integram o grupo dos que obtiveram os melhores resultados a ciências, o seu nível de proficiência é relativamente baixo. Para que a performance de um aluno seja considerada elevada, o seu nível de proficiência tem de se situar no 1/3 das performances mais altas do país. No conjunto de países da OCDE, apenas no México, na Turquia e na Grécia os alunos resilientes apresentam para a literacia de ciências uma pontuação menor do que Portugal. De facto, enquanto em Portugal 71,4% dos alunos resilientes obtiveram pontuações de nível 2 e 3 e 28,5% de nível 4-6, a média da OCDE para estes dois indicadores é de 43,1% e de 56,1%, respectivamente. Na Finlândia, 93,9% dos alunos resilientes obtiveram pontuações de nível 4-6 (ver Quadro 2).
Na maior parte dos países da OCDE, tal como em Portugal, os alunos resilientes tendem a ser provenientes de famílias dotadas de mais recursos culturais comparativamente ao registado na generalidade dos alunos com proveniências socioeconómicas desfavoráveis. Revelam também maior interesse pelas ciências, participam em mais actividades científicas fora da escola, têm mais horas de estudo científico na escola e apresentam níveis de confiança no domínio de questões científicas mais elevados.
Por outro lado, não existem em Portugal desigualdades de proficiência expressivas de acordo com o sexo ou a condição de imigrante/autóctone.
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Nota metodológica: O nível de resiliência resulta da comparação entre o número de alunos que tendo origens socioeconómicas desfavorecidas obtiveram uma pontuação considerada elevada a ciências e o total dos alunos socioeconomicamente desfavorecidos. Têm proveniências socioeconomicamente desfavoráveis os alunos que provêm de famílias cujos recursos socioeconómicos as colocam no 1/3 inferior da distribuição nacional. Para que a performance de um aluno seja considerada elevada, o seu nível de proficiência tem de se situar no 1/3 das performances mais altas do país. A resiliência do aluno é portanto determinada por um duplo critério: um primeiro, que é a sua proveniência socioeconómica; um segundo, que tem a ver com o seu nível de proficiência.
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