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Notícias e Entrevistas


publicado em:  13 Janeiro 2012
As desigualdades de rendimento como semente de uma sociedade distópica

Riscos económicos poderão num futuro próximo criar instabilidade social. Conclusões constam do relatório Global Risk 2012, publicado pelo World Economic Forum .

As “disparidades de rendimento severas” são, a par dos desequilíbrios orçamentais crónicos dos Estados, o risco global que mais probabilidade tem de se desenvolver nos próximos 10 anos. Esta é a opinião de 469 peritos do mundo da indústria, política, academia e sociedade civil, inquiridos acerca da probabilidade e do impacto esperado de 50 riscos globais de natureza económica, ambiental, societal, geopolítica e ambiental.

De acordo com o estudo efectuado pelo Fórum Económico de Davos, os países que não conseguirem lidar com o aumento das desigualdades de rendimento, com o desemprego juvenil, com os problemas demográficos ou com os desequilíbrios orçamentais tenderão a caminhar para uma situação de maior fragilidade e a conhecer um aumento da instabilidade social. Estas são as sementes de uma sociedade distópica, possibilidade real que coloca desafios políticos e económicos globais

.

Este estudo demonstra também uma alteração das representações dos respondentes em relação aos principais riscos globais. Em 2012 elegeram os riscos económicos como sendo os mais prováveis de se concretizarem num período de 10 anos, enquanto em 2011 esse destaque tinha sido dado aos riscos ambientais. Consideraram também que os riscos económicos e societais são os que irão ter maior impacto, quando em 2011 sinalizaram os riscos ambientais e económicos.

Este estudo conclui ainda que as desigualdades de rendimento se assumem como um dos “facilitadores críticos” (critial connectors) da interacção entre os riscos que têm uma maior importância sistémica. Ou seja, as desigualdades de rendimento são entendidas não só como um problema em si, mas também enquanto fenómeno que potencia a interacção entre os vários tipos de riscos globais.

Este estudo entende que a “Primavera Árabe” e os movimentos sociais como o “Ocupar Wall Street” são indicadores da frustração sentida pelos cidadãos face a um sistema político e económico que necessita de ser repensado a nível global:

“Existe uma expectativa geral de que o potencial de desenvolvimento da economia global pode não ser alcançado devido à interacção entre os desequilíbrios orçamentais dos Estados e as mudanças demográficas. Este cenário negativo é amplificado por um sentimento crescente de que a riqueza e o poder estão a ficar cada vez mais concentrados nas mãos das elites políticas e financeiras (…) Quando a mobilidade social é entendida como atingível, a disparidade de rendimento pode estimular as pessoas a perseguir esse objectivo. Contudo, quando jovens ambiciosos e trabalhadores começam a sentir que, independentemente do seu esforço, as suas perspectivas estão constrangidas, então os sentimentos de impotência, desintegração e desmotivação ganham força” (Global Risk 2012, p. 16. Tradução própria).

Este estudo combinou a aplicação de inquéritos com a realização de entrevistas e workshops a/com peritos.

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