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Notícias e Entrevistas


publicado em:  8 Fevereiro 2012
OIT sublinha a importância de medidas políticas coordenadas a nível mundial para o combate ao desemprego

No relatório Global Employment Trends 2012 a Organização Mundial do Trabalho (OIT) sublinha que o crescimento económico sustentável e a manutenção da coesão social exigem a criação de 600 milhões de empregos na próxima década. No entanto, as perspectivas para a criação de emprego têm piorado.

Depois de três anos consecutivos de crise, em 2012 o desemprego no mundo atinge cerca de 200 milhões de indivíduos (um aumento de 27 milhões desde o início da crise). As economias desenvolvidas e a União Europeia têm sido particularmente afectadas pelo aumento do desemprego, como se pode ver no Quadro 1: de uma taxa de 6,7% em 2000 passaram para 8,5% em 2011.

Os jovens encontram-se numa situação particularmente vulnerável ao desemprego. Em termos mundiais, no ano de 2011 74,8 milhões de jovens estavam desempregados (o que corresponde a um aumento de 4 milhões relativamente a 2007) e 6,4 milhões de jovens tinham perdido a esperança de arranjar um emprego e haviam abandonado o mercado de trabalho. De uma forma geral, o risco de desemprego deste grupo populacional é quase três vezes superior ao dos adultos. 



E o agravamento do desemprego no mundo só não foi maior porque houve uma acentuada diminuição na taxa de actividade. Em termos mundiais, em 2011 havia cerca de 29 milhões de inactivos a mais do que era expectável de acordo com as tendências anteriores à crise. Se esses potenciais trabalhadores estivessem todos disponíveis para trabalhar e procurassem emprego, o número de desempregados ultrapassaria os 255 milhões de indivíduos, ou seja, uma taxa de 6,9%.

Em muitos países do grupo das economias desenvolvidas e da União Europeia a taxa de actividade decresceu acentuadamente, o que se traduziu em menos 6 milhões de indivíduos activos relativamente às tendências previstas antes da crise. Se estes 6 milhões fossem acrescentados ao grupo de desempregados, a taxa de desemprego nesta região passaria de 8,5% para 9,6%.   

Embora tenha havido progressos no que se refere à redução da pobreza extrema entre os trabalhadores a nível mundial, a pobreza no trabalho continua muito disseminada. Em 2011, entre os 900 milhões de trabalhadores pobres, 456 milhões viviam numa situação de extrema pobreza, abaixo do limiar de 1,25 dólares por dia. Embora este número corresponda a uma diminuição de 233 milhões de pessoas desde o ano 2000, a quebra mundial está fortemente influenciada pela descida exponencial da pobreza no trabalho na região da Ásia de Leste graças ao crescimento económico e à redução da pobreza ocorridos na China. Por outro lado, desde 2008, houve um abrandamento acelerado da taxa de progressão da redução da pobreza no trabalho.

Fortemente ligado ao indicador da pobreza e da extrema pobreza no trabalho, está o que se refere ao “emprego vulnerável”, que corresponde à soma dos trabalhadores por conta própria e dos trabalhadores familiares não remunerados. Segunda a OIT, este indicador é de uma extrema importância para aferir as tendências na qualidade do emprego, já que elevadas percentagens de emprego vulnerável são indicadoras de modalidades de emprego informal generalizadas, em que normalmente os trabalhadores carecem de protecção social adequada e de inclusão no diálogo social. Para além disso, o emprego vulnerável caracteriza-se muitas vezes por baixos salários e por difíceis condições de trabalho. No ano de 2011, o emprego vulnerável afectava cerca de 49,1% dos trabalhadores no mundo (Quadro 2). Nos países do grupo das economias desenvolvidas e da União Europeia essa percentagem era a mais baixa (9,8%), enquanto no Sul Asiático e na África Subsaariana essa percentagem era de 77,7% e 76,6%, respectivamente. 

Embora a percentagem das situações de emprego vulnerável tenha vindo a diminuir no total dos trabalhadores, em termos absolutos o número de trabalhadores em empregos vulneráveis é de 1,52 mil milhões ao nível mundial, o que corresponde a um aumento de 136 milhões desde o ano 2000 e de quase 23 milhões desde 2009.   



O débil crescimento do emprego nos países desenvolvidos e a fraca produtividades nas regiões em desenvolvimento representam uma ameaça para uma recuperação generalizada e limitam as perspectivas de desenvolvimento económico. São cada vez mais os elementos que apontam para um cenário negativo na relação entre o mercado de trabalho e a macroeconomia, em particular nas economias desenvolvidas: o desemprego elevado e o fraco crescimento dos salários diminuem a procura de bens e serviços, corroendo ainda mais a confiança das empresas, que hesitam em investir e contratar. Para que uma recuperação durável da economia e do emprego possa acontecer é necessário romper com este ciclo negativo. Nesse sentido, este relatório apresenta uma série de medidas políticas que devem ser implementadas em termos mundiais e de uma forma coordenada.

Em primeiro lugar, a OIT defende que “os efeitos impulsionadores induzidos pelas despesas públicas e a criação de liquidez podem ser importantes de um país para o outro – se estas forem utilizadas de uma forma coordenada – e permitiriam aos países que ainda dispõem de uma certa margem de manobra apoiar tanto as suas próprias economias como a economia mundial. São medidas de financiamento público coordenadas deste tipo que são necessárias para apoiar a procura global a nível mundial e estimular a criação de empregos no futuro” (tradução própria).   

Em segundo lugar, é necessária uma regulamentação mais substantiva do sistema financeiro para o restabelecimento da credibilidade e da confiança, o que permitirá aos bancos ultrapassar o risco de crédito que alimentou esta crise. Uma reforma global dos mercados financeiros, abarcando maiores margens de segurança nos sectores bancários nacionais, ajudará o mercado de trabalho e o aumento da taxa de emprego.  

Em terceiro lugar, a OIT sublinha a importância de as medidas de crescimento de emprego se dirigirem à economia real. De facto, as medidas que têm sido tomadas até agora não permitiram inverter o aumento de 27 milhões de desempregados desde o impacto inicial da crise.   

Em quarto lugar, é salientado que as medidas públicas de incentivo à economia não são suficientes para um crescimento durável do emprego. O investimento privado deve ser encorajado e os responsáveis políticos devem agir de maneira a reduzir o medo e a incerteza que o travam.

Por último, a OIT frisa que, para serem eficazes, os planos de relançamento da economia não devem comprometer a viabilidade das finanças públicas, aumentando ainda mais a dívida pública.

Ver vídeo da análise do mercado de emprego global, por Steven Kapsos, da OIT.

oit_employment_trends_2012_pdf.pdf
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