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Notícias e Entrevistas


publicado em:  13 Abril 2012
Mais pobres tendem a ter uma maior exposição aos riscos ambientais

A Organização Mundial de Saúde (WHO, Word Health Organization) alerta para os riscos ambientais enfrentados pelas populações menos favorecidas. Chama também a atenção para as diferenças assinaláveis de desigualdade de exposição a estes riscos entre os países da União Europeia.

Num estudo recentemente publicado (WHO, 2012), foram avaliados riscos ambientais relativos a condições de habitabilidade, ambientes pouco saudáveis (excesso de ruído, fumo passivo, etc.), e mortes acidentais, nos 27 países da União Europeia, em função de vários indicadores e determinantes sociais. A maior parte dos dados deste relatório são referentes ao ano de 2009.

As variáveis relacionadas com o rendimento e a pobreza revelaram as maiores desigualdades, sendo particularmente expressivas no estudo das condições de habitabilidade.

Esta análise distingue os membros da UE-15 (15 membros aderentes antes do ano de 2004) dos 12 países que integraram a União Europeia após 2004 (NM-12) [1]. Problemas relacionados com o fornecimento de água e saneamento básico são relevantes entre os membros mais recentes, mas muito menos expressivos nos restantes países da União. Em contrapartida, os problemas ao nível  das habitações sobrelotadas, com humidade e sem conforto térmico são identificados em quase todos os países europeus, com especial incidência entre os grupos sociais com baixo rendimento.

Cerca de 47% da população dos NM-12 e 10% da população dos países da UE-15 vive em habitações sobrelotadas. Esta percentagem sobe para 60% e para 20% no grupo de menores rendimentos (primeiro quintil de rendimento), em cada uma das regiões, respectivamente.

Os problemas com a humidade são um risco para 18% da população dos países NM-12 e para 15% da população dos países  da UE-15. Comparando os valores registados entre os indivíduos que  se integram no primeiro e no quinto quintil  (20% mais pobres e 20% mais ricos, respectivamente), verifica-se que este risco  ambiental aumenta para o dobro nos países da UE-15 (de 10% para 20%) e quase quatro vezes nos NM-12 (de 8% para 30%).

A incapacidade de manter a casa quente nos meses de Inverno afecta 18,4% da população dos 27 países da União Europeia. Relativamente à população de cada país, o risco varia entre 64,2% (Bulgária) e 1,7% (Estónia) nos países NM-12, e entre 28% (Portugal) e 0,33% (Luxemburgo) nos países da UE-15. As variações entre os níveis de rendimento são mais relevantes nesta última região, sendo que 40% da população abaixo da linha de pobreza tem dificuldade em manter a casa quente.

O estudo permitiu ainda identificar outros grupos sociais com risco ambiental diferenciados, como os homens (mortes acidentais), famílias uni-parentais (condições de habitabilidade), ou determinadas faixas etárias (acidentes de trabalho), relativamente a indicadores específicos e em determinadas regiões.
    

 [1] UE-15: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Portugal, Reino Unido, e Suécia. NM-12: Bulgária, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia, República Checa, Roménia.  

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