OK 
     
ApresentaçãoEstudosBibliografiaEstatísticas e Bases de DadosIndicadoresPublicaçõesNotícias e EntrevistasNewslettersLigações
Home >  Notícias e Entrevistas > 
Notícias e Entrevistas


publicado em:  30 Maio 2012
Portugal tem altos níveis de pobreza e privação infantil

Em Portugal, cerca de ¾ das crianças que vivem em agregados domésticos em que não há qualquer adulto que tenha um emprego remunerado encontram-se numa situação de privação.

De acordo com um relatório recentemente publicado pela UNICEF, 27,4% das crianças residentes em Portugal encontravam-se em 2009 numa situação de privação. Isto significa que a população com idade entre 1-16 anos não tinha acesso a pelo menos dois bens essenciais que constam de uma lista mais longa de 14 indicadores: por exemplo, tomar três refeições diárias, ter acesso à Internet, ter algumas roupas novas ou a possibilidade de celebrar algumas ocasiões especiais (ver lista de indicadores na p. 2 do relatório). Esta proporção diminui para 23,0% se o número de bens a que as crianças não têm acesso for igual ou superior a três, de 17,8% quando a privação é de 4 ou mais bens essenciais e de 13,8% quando está em causa a privação de 5 ou mais bens essenciais. Os valores médios destes quatro indicadores nos 29 países europeus analisados no relatório são de 13,3%, 9,8%, 7,4% e 5,8%, respectivamente. Estes são resultados bastante acima do verificado na generalidade dos 29 países europeus analisados no estudo, embora a Roménia, a Hungria e a Letónia apresentem para este indicador resultados ainda mais preocupantes do que Portugal (ver p. 13 do relatório).

O valor da privação infantil em Portugal aumenta de forma abrupta no caso das crianças que vivem em agregados domésticos em que nenhum dos adultos tem um trabalho remunerado (73,6%) e das que vivem em famílias monoparentais (46,5%). Embora de forma menos evidente, o valor deste indicador eleva-se também entre as crianças que vivem em famílias cujos adultos têm baixos níveis de educação escolar (37,9%) e das que provêm de famílias em que pelo menos um dos progenitores nasceu fora de Portugal (33,6%). Este tipo de enquadramento familiar potencia a privação infantil e também a este nível Portugal apresenta dos valores mais elevados no universo de países analisados neste estudo (ver p. 24 do relatório).

O relatório Measuring Child Poverty apresenta igualmente informação acerca da taxa de pobreza infantil, calculada a partir do rendimento monetário disponível dos agregados domésticos por adulto equivalente. O valor deste indicador é calculado tendo em conta três limiares de pobreza relativa: 40%, 50% e 60% do rendimento mediano num determinado país. Os resultados deste indicador para Portugal para cada um dos limiares definidos são de, respectivamente, 9,6%, 14,7% e 22,7%. Estes são valores que se situam bastante acima dos apurados na generalidade dos países europeus, mas consideravelmente abaixo do apresentado pelos Estados Unidos. Nesse país, estes resultados são de 16,6%, 23,1% e 31,1% (ver p. 12 do relatório).

  Entrevistas

Conteúdos Relacionados

Poderá a redução das desigualdades ser compatível com o crescimento económico?
Melhoria do desenvolvimento humano num mundo ainda muito desigual
Ligeiro aumento das desigualdades de rendimento em Portugal no ano de 2010
As desigualdades de rendimento como semente de uma sociedade distópica
Desigualdade de rendimento entre crianças em Portugal é das mais elevadas nos países da OCDE