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publicado em:  12 Setembro 2012
Acesso ao ensino superior é ainda bastante desigual em Portugal

Portugal é um dos países da OCDE em que a conclusão do ensino superior é economicamente mais vantajosa.

A probabilidade de um aluno do ensino superior em Portugal ser proveniente de uma família na qual pelo um dos pais concluiu o ensino superior é uma das mais altas verificadas nos países da OCDE. Embora a percentagem dos progenitores com escolaridade superior representasse apenas 9% do total dessa população, 30% dos alunos com idade entre os 20-34 anos que frequentavam em 2009 o ensino superior em Portugal provinham de famílias com elevados níveis de escolaridade. Isto significa que a probabilidade de um estudante aceder ao ensino superior é de 3,3, o segundo valor mais elevado no conjunto de países da OCDE a seguir à Turquia. Em termos médios este rácio é de 1,9, situando-se abaixo dos 1,5 nos países nórdicos, Estónia e no Luxemburgo.

De acordo com o Education at a Glance 2012, Portugal é um dos países nos quais os alunos com proveniências sociais desfavoráveis têm menos hipóteses de progressão escolar:

“Itália, Portugal, Turquia e Estados Unidos são os países em que os jovens provenientes de famílias com baixos níveis de educação têm as mais reduzidas hipóteses completar um nível de ensino superior ao dos seus pais. Nestes países, mais de 40% destes jovens não completaram o ensino secundário e menos de 20% conseguiram atingir o ensino superior” (OECD, 2012: 103. Tradução própria).

Portugal integra o grupo dos 10 países da OCDE, nos quais o nível de escolaridade atingido tem uma maior relevância para a variação da remuneração. Por um lado, a conclusão do ensino superior implica uma vantagem remuneratória de 69% face a quem concluiu no máximo o ensino secundário ou pós-secundário; por outro, a remuneração de quem não foi além do 9º ano representa apenas 68% da auferida por quem concluiu níveis intermédios de escolaridade. Os valores médios da OCDE para estes indicadores são de 155% e 77%, respectivamente.

No que diz respeito ao perfil escolar da população portuguesa, o retrato é ainda preocupante. Apenas 24,8% da população com idade entre os 25-34 anos concluiu o ensino superior, enquanto o valor médio nos países da OCDE é de 37,8%. Este resultado fica bastante aquém do apurado em países como a Coreia do Sul (65%), Japão (56,7%) e Canadá (56,5%), mas ainda assim acima do registado na Áustria e Itália (21%) e um pouco abaixo do resultado da Alemanha (26,1%).

O principal hiato escolar da população portuguesa desta faixa etária em relação aos demais países da OCDE situa-se ao nível da escolaridade secundária ou pós-secundária. Veja-se que em Portugal apenas 52% concluíram esse patamar de ensino, enquanto na OCDE esse valor é de 82%. Uma diferença de 30 pontos percentuais, portanto. Vários são os países nos quais este indicador se situa acima dos 90%. O nosso resultado é similar ao do Brasil e entre os países da OCDE apenas o México e a Turquia têm um desempenho pior. Estes dados são ainda mais impressivos se verificarmos que a percentagem da população portuguesa com idade entre os 25-34 anos que concluiu no máximo o ensino intermédio é bastante inferior ao valor médio deste indicador nos países da OCDE para a população com idade entre os 55-64 anos (62,3%).



De acordo com este relatório, os indíviduos com escolaridade superior têm conseguido resistir melhor à crise económica e financeira ao nível do evitamento do desemprego. Adicionalmente, o hiato remuneratório que os separa dos trabalhadores menos escolarizados aprofundou-se.

education at a glance 2012.pdf
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