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publicado em:  14 Setembro 2012
Um mundo onde não se evita a morte diária de 19 mil crianças

Portugal, Brasil, Timor-Leste e Moçambique entre os países em que a diminuição da taxa de mortalidade das crianças com menos de cinco anos mais se intensificou nas últimas duas décadas.

Morreram em 2011, no mundo, 6,9 milhões de crianças até aos 5 anos, uma descida de cerca de 41% face aos resultados de 1990, ano em que morreram 12 milhões de crianças deste grupo etário. Apesar desta diminuição, faleceram em 2011 devido a causas passíveis de serem prevenidas cerca de 19 mil crianças por dia no mundo e 1,2 milhões em cada dois meses. A África Sub-Sahariana concentra cerca de metade das mortes registadas a nível mundial. Se a esta região se adicionar os resultados do Sul da Ásia atinge-se 82% do valor total deste indicador (68% em 1990). Os dois países que mais contribuem para a mortalidade de crianças deste grupo etário são a índia (35% do total) e a Nigéria (9% do total).

As doenças infecciosas são responsáveis por cerca de 2/3 do total das mortes, em particular a pneumonia (18% do total, 1,3 milhões de falecimentos), a diarreia (11%) e a malária (7%, causa de morte praticamente exclusiva da África Sub-Sahariana). Muitas destas mortes estão associadas à subnutrição das crianças  e à falta de acesso a cuidados básicos de saúde, causas facilmente evitáveis se um conjunto de bens e serviços fosse facultado às crianças, por exemplo: vacinação, lavagem das mãos com água e sabão, água potável e saneamento básico.

De acordo com o relatório da UNICEF Committing to Child Survival: A Promise Renewed, a baixa escolaridade das mães, a residência em zonas rurais e o posicionamento na base da distribuição interna dos rendimentos são factores que favorecem este fenómeno. Em relação a este terceiro factor explicativo, é referido que ao nível nacional a probabilidade de uma criança do 1º quintil de rendimento (20% mais pobres) morrer antes dos 5 anos de idade é duas vezes superior em relação à de uma criança do quintil do topo (20% mais ricos).

De sublinhar que Portugal é mencionado como um dos países que conseguiu nas últimas duas décadas diminuir de forma mais expressiva esta taxa de mortalidade, assumindo-se em 2009 como o 9º país a nível mundial em que o valor deste indicador é mais baixo: 3,4 mortes por cada mil nascimentos com vida (o mesmo valor quer o Japão). Em 1990 o valor deste indicador era cerca de 15 óbitos. O Brasil é outro dos países lusófonos cujo progresso verificado nesta área é destacado: em 1990 a taxa de mortalidade de crianças com menos de 5 anos era de 58 mortes por 1000 nascimentos com vida, em 2011 esse valor desceu para as 16 mortes.

Embora continuassem a ser, em 2011, países com uma elevada taxa de mortalidade de crianças com menos de 5 anos (mais de 40 mortes de crianças com menos de cinco anos por cada mil nascimentos com vida), Timor-Leste e Moçambique merecem também um destaque positivo. Timor-Leste é, aliás, o segundo deste conjunto de países que têm uma elevada taxa de mortalidade em que o valor deste indicador mais desceu desde 1990: 70%. Em Moçambique essa diminuição foi de 54%.  

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