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Notícias e Entrevistas


publicado em:  12 Outubro 2012
870 milhões de pessoas sofrem de subnutrição

Investimentos na agricultura, na segurança social e no capital humano são a melhor estratégia para combater o fenómeno da subnutrição entre os mais pobres.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) estima que, em 2010-2012, 868 milhões de pessoas sofressem de problemas de subnutrição, o que representa 12,5% da população mundial. A esmagadora maioria desta população (852 milhões) vive em países em desenvolvimento, nos quais se estima que 14,9% da população enfrente este problema. De acordo com o relatório The State of Food Insecurity in the World 2012, a dimensão deste fenómeno tem vindo a diminuir, devido principalmente ao crescimento económico dos países em desenvolvimento: em 1990-92, o número de pessoas subnutridas acendia a 1000 milhões, 18,6% da população mundial; nos países em desenvolvimento estes valores eram de 980 milhões e 23,2%, respectivamente. A Ásia foi a região do mundo em que a prevalência relativa da subnutrição mais diminuiu: de 23,7% para 13,9%. Essa diminuição foi particularmente assinalável no Sul da Ásia (diminuição de 26,8% para 17,6%) e na Ásia Oriental (de 20,8% para 11,5%). Tendo 22,9% da sua população numa situação de subnutrição, África continua a ser a região do globo em que se estima existir uma maior incidência deste flagelo. Mas em termos absolutos o Sul da Ásia é a região que concentra um maior número de pessoas subnutridas (304 milhões).



De acordo com o relatório, a diminuição para metade da percentagem da população subnutrida dos países em desenvolvimento entre 1990 e 2015 – meta estabelecida no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento do  Milénio (Millennium Development Goals) –  é assim alcançável. Alerta-se, porém, para a desaceleração do ritmo de diminuição deste fenómeno desde 2007-08 e para a evidência de que o crescimento económico não está a beneficiar necessariamente os mais pobres. Em relação às causas deste segundo aspecto, tal poderá estar associado ao facto dos sectores de actividade nos quais o crescimento económico se apoia não gerarem suficientes postos de trabalho para os mais pobres;  aos problemas de acesso seguro e justo, por parte dos mais pobres, a bens produtivos como a terra, a água ou o crédito;  aos baixos níveis de educação, à idade ou à discriminação social dos grupos mais desfavorecidos da população.

A aposta na agricultura, principalmente o apoio às pequenas explorações agrícolas, é uma das estratégias fundamentais para combater a subnutrição e a fome, já que de acordo com a informação disponível esta actividade contribui fortemente para a mitigação destes fenómenos – a agricultura é o sector onde a maior parte dos muito pobres trabalha ou tem possibilidades de trabalhar. O relatório recomenda também que, nos países em desenvolvimento, “uma larga porção das receitas públicas adicionais geradas pelo crescimento económico sejam utilizadas para realizar investimentos públicos em sistemas de protecção social, nutrição, saúde e educação, bem como no aumento do capital humano dos pobres” (p. 15. Tradução própria).

Este relatório demonstra que num momento em que nos países mais desenvolvidos o problema do excesso de peso ganha uma expressão cada vez maior, existem a nível global 100 milhões de crianças com menos de cinco anos abaixo do peso normal (underweight).     

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