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Notícias e Entrevistas


publicado em:  12 Novembro 2012
14 milhões de jovens desempregados e fora do sistema de educação e formação na UE

Relatório divulgado pelo Eurofound destaca a taxa alarmante de jovens que não estão nem a trabalhar nem a estudar e chama a atenção para a necessidade de medidas urgentes.

Uma das principais consequências da crise económica que assola a Europa foi o aumento significativo na taxa de NEETs, termo usado para designar os jovens que não estão nem a trabalhar, nem a estudar, nem a receber formação (not in employment, education or training). A partir de dados do Eurostat, os autores do estudo referem que no ano de 2011, 7,5 milhões de pessoas entre 15 e 24 anos e 6,5 milhões entre 25 e 29 anos foram excluídas do mercado de trabalho e do sistema educativo na União Europeia. Isto corresponde a um aumento de 11% para 13% nos jovens com idade entre 15 e 24 anos, e de 17% para 20% na população entre 25 e 29 anos em comparação com 2008.

O relatório NEETs - Young people not in employment, education or training: Characteristics, costs and policy responses in Europe, publicado recentemente pelo Eurofound, ressalta que este é o momento crucial para desenvolver medidas de reinserção e apoio a este extracto da população.

A União Europeia apresenta uma taxa de NEETs de 15,4% entre a população de 15 e 29 anos. Ou seja, 14 milhões de jovens. A situação mais grave é a que se verifica na Bulgária (24,6%), Grécia (23,2%), Itália (22,7%), Irlanda (22%) e Espanha (21,1%). Esses índices representam, aproximadamente, um em cada cinco jovens  fora do mercado de trabalho e do sistema de ensino. Em Portugal, esta taxa é de 14%. Já a Holanda (5,5%) e o Luxemburgo (6,6%) possuem os valores mais baixos.

   

 Em relação à posição no mercado de trabalho, 45% dos europeus NEET com idade entre os 25 e os 29 anos estavam em 2011 desempregados, enquanto 55% encontravam-se numa situação de inactividade. De acordo com definições da Organização Internacional do Trabalho, os jovens desempregados são aqueles que procuraram emprego no último mês e estão à disposição para começar a trabalhar nas próximas duas semanas. Já os inactivos são aqueles que, por razões diversas como a doença ou as responsabilidades familiares, não estão à procura de trabalho.

Em Portugal, Grécia, Espanha e Eslovénia, mais de 60% dos NEETs com idades entre os 25 e os 29 anos estão desempregados. O relatório destaca que esta taxa subiu em toda a União Europeia desde o início da crise, enquanto a percentagem de inactivos diminuiu. Um dado preocupante prende-se com o facto de 33% dos jovens inactivos que poderiam trabalhar alegarem que não procuram emprego por considerarem que não há trabalhos disponíveis no mercado. Na Bulgária, Hungria, Irlanda, Itália e Lituânia, essa taxa ultrapassa os 40%.

Segundo o Eurofound, os NEETs formam um grupo bastante heterogéneo, embora existam tendências bastante marcadas no que concerne à caracterização pessoal, económica e social dos seus elementos: os jovens com baixos níveis educacionais têm uma probabilidade de se tornarem um NEET três vezes superior à dos que concluíram o ensino superior e duas vezes superior à dos que concluíram o ensino secundário; os descendentes de imigrantes têm 70% mais probabilidades de integrarem o grupo dos NEET do que os outros jovens;  e entre os jovens que sofrem de alguma doença ou deficiência essa probabilidade é 40% superior. Residir em zonas remotas ou ser-se proveniente de famílias com baixos recursos económicos são outros dos factores que potenciam a pertença a este grupo.

O relatório dividiu os membros da UE-27 em quatro grupos distintos conforme a taxa de NEETs e as características destes jovens (ver Quadro 2). O Grupo 3, formado por Portugal, Espanha, Irlanda, Estónia, Letónia e Lituânia, reúne os países mais afectados pela crise económica. Neste grupo a taxa de desemprego entre os jovens duplicou ou triplicou desde 2008. A maior parte dos NEETs são homens e a parcela que possui experiência profissional é superior à média da UE. Nestes seis países uma parcela significativa de NEETs têm educação superior e são altamente qualificados (tenha-se, porém, em atenção que em Portugal e em Espanha cerca de 70% dos NEETs têm baixos níveis de escolaridade). Neste grupo a proporção de jovens que deixaram de procurar emprego por entenderem que não conseguem encontrar trabalho é superior à taxa da UE.

     
 
Educação, género e NEET

Apesar da forte correlação entre baixo nível educacional e elevada taxa de NEETs, o Eurofound destaca que a crise económica fez com que 10% dos jovens europeus com educação superior se tornassem NEETs. Em Itália e na Estónia o valor deste indicador atinge os 20%, ou seja, o dobro da média da UE-27. Na Áustria, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Suécia e Reino Unido a taxa de jovens NEET que concluíram o ensino superior é inferior a 6%.

Em relação aos NEETs com idade entre 25 e 29 anos, 39% possuem baixo nível de instrução, 44% têm um nível de escolaridade intermédio e 17% concluíram o ensino superior, segundo dados de 2010. Mas em países como Chipre, Dinamarca, Estónia, Finlândia, Grécia, Lituânia e Luxemburgo, mais de 25% dos NEETs concluíram um nível superior de ensino. Já em Portugal e Espanha, a maior parte dos NEETs, com idade entre 25 e 29 anos, possuem um baixo nível de escolaridade.

De um modo geral, a percentagem de mulheres NEETs é maior do que o de homens, embora esta diferença tenha vindo a diminuir. De acordo com o Eurofound, a média geral era de 11,5% entre os homens e de 14,9% entre as mulheres em 2000. Já em 2011, esta taxa foi de 12,5% e 13,4%, respectivamente. O relatório destaca que esses números acompanham a tendência da taxa de desemprego.

Relativamente à idade, conclui-se que em quase todos os países da UE a taxa de NEET entre os homens (7,3%) é maior do que o de mulheres (6,6%) na população entre 15 e 19 anos. Já entre os jovens de 20 a 24 anos, o valor deste indicador entre as mulheres é superior face ao verificado entre a população masculina: 19,4% e 17,1% respectivamente.

Perdas e consequências

O Eurofound destaca que a perda das economias europeias em 2011 devido à sua incapacidade de absorver os jovens no mercado de trabalho foi de € 153 mil milhões, o que corresponde a mais de 1,2% do PIB da UE. Este montante é €33 mil milhões superior face ao verificado em 2008 (1% do PIB). De acordo com o relatório, estes valores representam uma estimativa conservadora, já que levam em conta apenas a perda de ganhos e os gastos com benefícios sociais.

A situação da Bulgária, Chipre, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia e Polónia é ainda mais grave: a perda económica que decorre do desemprego entre os activos mais jovens é equivalente a 2% do PIB desses países.

O relatório enfatiza, no entanto, que esta é apenas uma parte do problema. A pertença ao grupo dos NEETs implica uma série de consequências a curto e a longo prazo para o indivíduo e para a sociedade. Em termos pessoais, o Eurofound adverte que os jovens podem desenvolver comportamentos de risco, problemas de saúde ou mentais. Além disso, os NEETs apresentam um nível menor de interesse político e engajamento social em comparação com os jovens que não se encontram nessa situação.

Outras consequências apontadas são a insegurança, o isolamento e um baixo nível de confiança. O relatório também adverte que os NEETs têm uma maior probabilidade virem a defrontar-se no futuro  com condições de precariedade laboral e com baixos salários, devido à falta de acumulação de capital humano através de meios formais.

De acordo com o Eurofound, este é um momento crucial para a Europa implementar medidas para diminuir a taxa de NEETs. É necessário prevenir o abandono escolar precoce, facilitar a transição entre a escola e o mercado de trabalho, aumentar a empregabilidade da população jovem e remover barreiras práticas e logísticas de jovens com necessidades mais especiais. O relatório enfatiza, ainda, que o sucesso no combate ao aumento dos NEETs depende da implementação de outras políticas públicas, tais como uma maior disponibilidade de vagas para estudantes ou o fomento da formação e de estágios profissionais.    

neet_eurofound2012.pdf
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