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Notícias e Entrevistas


publicado em:  4 Dezembro 2012
Europa regista melhorias na saúde, mas a crise económica pode causar retrocessos

Países europeus conseguiram melhorias significativas na saúde da população na última década. Portugal destaca-se na diminuição da taxa de mortalidade infantil.

O relatório Health at a Glance 2012, publicado recentemente pela OCDE, possibilita uma visão geral sobre as condições de saúde em 35 países da Europa. A maioria deles alcançou ganhos significativos na saúde da sua população, incluindo cobertura universal (ou quase universal) de serviços essenciais como consultas médicas, testes, exames e cuidados hospitalares. Apesar dos avanços, a Organização alerta para possíveis retrocessos associados aos cortes dos investimentos na saúde motivados pela actual crise económica.

O total das despesas em saúde (pública e privada) dos países da UE é equivalente a uma média não-ponderada de 9% do PIB, valor superior à média das despesas no ano de 2000 (7,3%), mas inferior ao montante de 2009 (9,2%). Exceptuando a Bulgária, a Islândia e o Luxemburgo, o crescimento anual das despesas totais em saúde ultrapassou o crescimento do PIB em todos os países europeus durante a última década.

A Holanda foi o país que em 2010 mais despendeu na área da saúde em % do PIB (12%). Seguem-se a França e a Alemanha, ambas com 11,6%. Portugal é o sexto país da UE que mais despendeu (10,7%). Já a Letónia (6,8%), Estónia (6,3%) e Roménia (6%) aparecem no final da lista.

Quase 73% das despesas em saúde nos países da UE consistiram em despesas pública. No universo de países da UE-27, Portugal ocupa uma posição intermédia  ao nível da despesa pública em saúde: 7,1% do PIB (tal como a Espanha), um valor bastante mais baixo face ao registado na Dinamarca, na Holanda, em França ou na Alemanha, e um pouco acima da média da União (6,5% do PIB). Refira-se, porém, que este valor médio para a UE-27 é influenciado pela despesa comparativamente baixa em saúde dos países que entraram na União a partir de 2004. Entre os países da UE-15, Portugal é dos que menos despende em saúde em % do PIB – apenas a Grécia, a Irlanda, o Luxemburgo e a Finlândia apresentam níveis de despesa mais baixos.

Além dos 27 membros da UE, o estudo analisou a Suíça, a Noruega, a Islândia, a Sérvia, a Croácia, o Montenegro, a Turquia e a Macedónia.



No que se refere às despesas per capita com saúde, os países da UE apresentaram em média uma queda de 0,6% em 2010. Isso demonstra uma tendência inversa ao ocorrido entre 2000 e 2009, quando o crescimento médio anual das despesas per capita foi de 4,6% em termos reais. A OCDE enfatiza que as despesas per capita começaram a diminuir em 2009 em países como Estónia e Islândia, mas que em 2010 os cortes foram ainda mais agressivos devido a pressões orçamentais e medidas de redução de gastos e investimentos.

A Irlanda sofreu uma redução de quase 8% nas despesas per capita com saúde em 2010, após uma taxa média de crescimento anual de 6,5% entre 2000 e 2009. Já na Estónia, o corte foi de 7,3% em 2010, em comparação a um aumento médio de 7,2% nos anos anteriores. Na Grécia, o período entre 2000 e 2009 foi marcado por um crescimento nas despesas anuais per capita em saúde de 5,7%, contra uma redução de 6,7% em 2010. Em Portugal, a taxa manteve-se positiva (0,5%) em 2010, mas apresentou uma queda em relação à média de 1,8% entre 2000 e 2009.

A Noruega e a Suíça são os dois países europeus que mais gastaram na área da saúde em 2010, com despesas harmonizadas em PPP por habitante de  €4.156 e €4.056, respectivamente. Entre os países da UE, os que registaram despesas mais elevadas per capita foram a Holanda (€3.890), o Luxemburgo (€3.607) e a Dinamarca (€3.439), valores superiores à média da UE (€2.171). O valor desse indicador em Portugal foi de €2.097 por habitante, enquanto a Roménia (€677) e a Bulgária (€745) apresentaram os valores mais baixos na UE.

O Health at a Glance 2012 apresenta ainda uma série de indicadores referentes ao estado de saúde da população, factores de risco, recursos e actividades do sistema de saúde e qualidade dos cuidados para doenças crónicas e agudas. Confira os principais resultados.

Mortalidade Infantil

A OCDE destaca os resultados obtidos por Portugal, que conseguiu reduzir a sua taxa média de mortalidade infantil a um ritmo de 7,5% por ano desde 1970, passando do país europeu com piores resultados naquela década (quase 60 mortes para cada mil nados-vivos) para o grupo de países com a menor taxa em 2010: 2,5 mortes por mil nados-vivos, tal na Eslovénia e na Suécia. No conjunto de países da UE-27, apenas a Finlândia apresenta um resultado melhor (2,3 mortes por mil nados-vivos). De referir, porém, que o valor deste indicador em Portugal aumentou em 2011 (de 2,5 para 3,1). O valor médio dos países da EU-27 foi de 4,2 mortes para cada mil nascimentos com vida Desde 1970 os países europeus registaram uma redução acumulada da mortalidade infantil de mais de 80%, ano em que essa taxa era de 25 óbitos para cada mil nados-vivos. Apesar disso, alguns países ainda apresentam valores elevados: Turquia (13,6), Roménia (9,8), Bulgária (9,4) e Macedónia (7,6).

Esperança de vida

A esperança média de vida à nascença entre os 27 membros da UE é de 75,3 anos para os homens e 81,7 anos para as mulheres no período 2008-2010. Isto significa um aumento de 2,7 e 2,3 anos, respectivamente, face ao verificado dez anos antes. Em mais de 2/3 destes países a esperança média de vida à nascença excede os 80 anos para as mulheres e os 75 anos para os homens.

França (85 anos), Espanha (84,9) e Itália (84,6) apresentam os resultados mais elevados para as mulheres, enquanto a Suécia (79,4), a Itália (79,3), a Espanha e a Holanda (ambas 78,7 anos) registam os resultados mais elevados para os homens. Já a Bulgária e a Roménia (ambas 77,3 anos) têm a esperança média de vida à nascença mais reduzida entre as mulheres, sendo que a Lituânia (67,3), a Letónia (67,9) e a Estónia (69,7) apresentam os resultados mais baixos para os homens. Em Portugal, a esperança de vida à nascença para as mulheres era de 82,6 anos e para os homens de 76,5 anos.

Um dos dados mais interessantes  do relatório prende-se  com a desigualdade de esperança de vida aos 65 anos, de acordo com o nível escolar do indivíduo. Quem detém qualificações escolares de nível superior (ISCED 5-6) tende a viver mais anos do que quem não foi além do ensino básico (ISCED 0-2), quer entre a população masculina, quer entre a população feminina. A informação apresentada não indica que existam em Portugal diferenças muito assinaláveis. Mas, por exemplo, na República Checa, um homem com 65 anos que concluiu o ensino superior pode esperar viver mais sete anos do que um que não foi além do ensino básico (ISCED 2).

O relatório traz ainda o indicador HLY (healthy life years), que visa medir o número de anos que as pessoas podem esperar viver com saúde, sem incapacidades que as impeçam de realizar as suas actividades quotidianas. Em 2008-2010, a média do HLY para os 27 membros da UE foi de 62,2 anos para as mulheres e 61 anos para os homens. Em Portugal, o HLY está abaixo da média da UE tanto para as mulheres como para os homens.    

Médicos e enfermeiros per capita

O número de médicos per capita cresceu em quase todos os países da Europa, alcançando um resultado médio entre os membros da UE de 3,4 profissionais por cada mil habitantes em 2010, contra 2,9 no ano 2000. Somente em França, na Estónia e na Polónia houve uma diminuição. A Grécia era o país com a maior quantidade de médicos por mil habitantes em 2010 (6,1), seguida pela Áustria (4,8). Portugal, Suécia e Espanha estão em terceiro lugar com 3,8 médicos por cada 1000 residentes, embora o relatório enfatize que o valor para Portugal possa estar sobrestimado, já que engloba todos os médicos com licença para o desempenho da actividade, mesmo que não a exerçam.

Em 2010, a média de enfermeiros na UE foi de 7,9 por cada mil habitantes. A Suíça, a Dinamarca e a Bélgica apresentaram 15 enfermeiros para cada mil habitantes, o valor mais elevado nos países europeus (a Suíça não integra a UE). Em contrapartida, a Turquia, a Grécia e a Macedónia apresentam os resultados mais baixos, com menos de quatro enfermeiros por cada mil habitantes. Em Portugal esse valor é de 5,7 (incluem-se os enfermeiros que desempenham actividades que não a enfermagem – gestão, ensino, investigação).

Obesidade infantil e na população adulta

O Health at a Glance 2012 utiliza os dados mais recentes da OCDE, Eurostat e Who Global Infobase para traçar o nível de obesidade da população. O relatório enfatiza, no entanto, que a maior parte dos dados é proveniente de auto-declaração, o que requer uma avaliação cautelosa dos mesmos.

De acordo com estes dados, mais da metade (52%) da população adulta da União Europeia está acima do peso ou é obesa. Esta incidência acontece em pelo menos 18 dos 27 países da UE. No que diz respeito apenas ao nível de obesidade, quase 17% da população adulta da UE encontra-se nessa situação. Este valor quase duplicou em muitos países europeus nos últimos 20 anos. A Roménia (7,9%), a Suíça (8,1%), a Noruega (10%) e a Itália (10,3%) apresentam os valores mais baixos, enquanto a Hungria (28,5%), o Reino Unido (26,1%) e a Irlanda (23%) registam para este indicador os valores mais elevados. Em Portugal, 16,1% das mulheres e 14,6% dos homens declaram-se obesos, o que corresponde a 15,4% da população adulta.

Em relação aos adolescentes de 15 anos com excesso de peso ou obesidade, Portugal apresenta o valor mais elevado para a população feminina (15%), embora o resultado dos rapazes seja superior 19%.  

Consumo de álcool e tabaco

De acordo com o relatório, o tabaco é o principal factor de risco de doenças e mortalidade na Europa, ao qual se junta o consumo de álcool. Este último é considerado o mais elevado entre todas as regiões do mundo. O consumo médio anual de álcool puro é de  10,7 litros por adulto nos países da UE. A Áustria, a França, a Letónia, a Lituânia e a Roménia apresentam o maior consumo, com 12 litros ou mais por adulto. Já na Grécia, Itália, Chipre, Malta, Islândia, Suécia e Noruega a média é inferior a oito litros por adulto. Em Portugal, o valor deste indicador é de 11,4 litros.
   
Apesar do consumo médio de álcool ter caído na Europa nas últimas três décadas, o relatório sublinha que na Finlândia, no Chipre, na Islândia e na Irlanda houve uma tendência contrária, países no quais o consumo de álcool aumentou 1/4 ou mais. Em relação ao consumo diário de tabaco, apenas sete dos 27 países da UE possuem taxas de menos de 20% entre a população adulta. Os índices mais baixos em 2010 são na Suécia (14%), Luxemburgo (18%) e Portugal (18,6%). Os mais elevados verificam-se na Grécia (31,9%), Bulgária (29,2%) e Irlanda (29%).

O consumo de tabaco nos países europeus caiu cerca de cinco pontos percentuais desde o ano 2000, sendo o declínio maior entre os homens do que as mulheres. Na Letónia, a redução foi de 42% para 28%, seguida pela Dinamarca (de 31% para 20%), Luxemburgo (de 26% para 18%) e Holanda (de 29% para 21%). A República Checa é um dos únicos membros da UE em que as taxas de consumo de tabaco aumentaram.

Entre os adolescentes europeus de 15 anos, o consumo regular de tabaco tem vindo a diminuir na última década, sendo o período 2009-2010 aquele em que se registam os valores mais baixos (menos de um em cada cinco jovens).

Mais de 25% dos jovens de 15 anos declararam fumar pelo menos uma vez por semana em 2009-2010 na Áustria, Croácia, República Checa, Hungria, Lituânia e Letónia. Esse número cai para menos de 15% em Portugal (10% das raparigas e 11% dos rapazes), Dinamarca, Islândia, Noruega, Suécia, Irlanda, Polónia e Reino Unido.

O estudo apresenta ainda informação para o seguinte indicador: ter ficado embriagado pelo menos duas vezes durante a vida. O valor mais alto entre os rapazes verificou-se na Lituânia (57%), na Dinamarca (55%) e na Letónia (51%). Entre as raparigas, a taxa mais elevada registou-se na Dinamarca (56%), na Lituânia (47%), na Finlândia e no Reino Unido (ambos 44%). Em Portugal, o valor deste indicador foi de 23% entre os rapazes e de 18% entre as raparigas.    

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