A partir dos níveis de escolarização existentes no conjunto dos países da UE, a autora promove uma categorização do perfil estrutural dos seus países, dividindo-os em cinco grupos: os que apresentam um "padrão de topo", nos quais pelo menos 75% da população tem no mínimo o ensino secundário (casos da Alemanha, Áustria, Dinamarca, Suécia e Reino Unido); os países com um "padrão de consolidação", cuja população que atingiu esse grau de ensino representa entre 65% e 75 % dos efectivos totais da população adulta (Holanda, Irlanda, Finlândia); os que apresentam níveis de escolarização próximos da UE a 15 (entre 60% e 65% da população adulta tem no mínimo o ensino secundário), denominados países com um "padrão de acompanhamento" (Bélgica, França e Luxemburgo); um quarto grupo de países apresentam um "padrão de correcção", pois embora os seus níveis de escolarização ainda se mantenham abaixo da média europeia, têm-se vindo progressivamente a aproximar dos mesmos (Espanha, Grécia e Itália); por último, há o caso de Portugal, com uma "posição contrastante", na medida em que apresenta valores bastante abaixo da média da UE e tem um dos menores níveis de crescimento no conjunto dos países dessa organização.
Com a entrada de dez novos membros na UE deu-se um alargamento da importância relativa das categorias populacionais mais escolarizadas, nomeadamente dos detentores de grau secundário de ensino (os novos países têm médias de escolaridade mais altas no que se refere ao ensino secundário do que os da UE a 15, mas mais baixas ao nível do ensino superior), agravando-se desta forma o fosso estrutural entre Portugal e os demais países da UE.
Embora o investimento realizado no sector da educação seja em Portugal superior à média da UE a 25 (5,8% do PIB contra 5,2%), o país mantém alguns indicadores que espelham o atraso comparativo do país e ajudam a antever os baixos níveis de escolarização: 39,4% da população portuguesa com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos não está inserida em qualquer carreira formativa (47,9% no caso dos efectivos do sexo masculino); apenas 2,5% dos portugueses, com idade entre os 25 e os 34 anos e escolaridade inferior ao 9º ano, participaram em programas de formação e educação (esta realidade acentua-se nas faixas etárias mais velhas); Portugal é também, juntamente com a Grécia, o país em que existe um menor número de computadores por aluno (um computador para casa 16 alunos, para um por cada 9 na UE a 15) e um menor número de computadores por aluno com ligação à internet (um computador por cada 37 alunos, para um por cada 15 na UE a 15). Conduto, no que diz respeito ao número de alunos por professor, é um dos que apresenta níveis mais baixos de densificação das turmas.
Da análise dos indicadores mencionados, a autora salienta a existência de duas tendências fundamentais nos processos de recomposição da estrutura qualificacional da população da UE: por um lado, existe uma intensificação da procura dos níveis superiores de ensino por parte das populações mais jovens, fenómeno que assume uma maior importância relativa nos países que apresentam populações menos escolarizadas (casos de Portugal e de Espanha); por outro, a procura desses títulos formais tem tido como público preferencial as mulheres, fenómeno que indica, portanto, uma nova distribuição das habilitações escolares segundo o género - embora a escolha das áreas de ensino continue a ser fortemente influenciada por esta variável.
Frederico Cantante
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