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"Futuros prováveis: um olhar sociológico sobre os projectos de futuro no 9.º ano"

Mateus, Sandra (2002), "Futuros prováveis: um olhar sociológico sobre os projectos de futuro no 9.º ano", Sociologia, Problemas e Práticas, nº 39, pp. 117-149.



Analisam-se os projectos escolares e profissionais de alunos do 9º ano, dissecadas algumas das razões que os enformam e esboçada uma crítica ao modo como a própria escola tende a potenciar o papel da família de origem na definição dessas trajectórias futuras.

O 9º ano de escolaridade coincide com o primeiro momento em que os estudantes, caso queiram prosseguir os estudos, são obrigados a escolher o seu caminho formativo - continuar o ensino geral, ou optar pelo ensino tecnológico ou profissional. Neste sentido, a escola apresenta-se como um "lugar de transmissão e aquisição de saberes mas, também, da construção de futuros socioprofissionais" (p.117).

Na projecção do seu futuro educativo e profissional, influi o sistema de referências culturais e simbólicas, geradas principalmente no seio das famílias de origem, mas também noutros contextos de socialização, como a escola ou o grupo de amigos. Uma das perguntas que norteia esta pesquisa é a de saber até que ponto a escola consegue ser parte activa no enriquecimento e transformação de algumas heranças familiares, tais como as ambições profissionais e escolares.

Para a recolha de informação, a investigadora seleccionou duas turmas do 9º ano de uma escola de Lisboa, uma caracteristicamente constituída por alunos com bom aproveitamento escolar e que conserva a maior parte dos seus efectivos de forma durável, uma outra que apresenta atributos opostos aos referidos. A primeira integra jovens provenientes essencialmente da pequena burguesia intelectual e científica, a segunda, alunos com origens no operariado.

Os jovens com proveniências sociais mais favoráveis preferem dar continuidade à sua carreira escolar no ensino secundário através do ensino geral e ambicionam obter um título académico, por contraposição aos filhos de famílias operárias, que desejam seguir os estudos pela via do ensino tecnológico e profissional, e apenas visam concluir o ensino secundário. As disposições de classe, a forma como o aproveitamento escolar influencia o modo como os alunos representam as suas capacidades e possibilidades formativas, o tipo de actividades profissionais que desejam realizar, o tempo que estão dispostos a esperar para acederem ao mercado de trabalho, são factores determinantes para a explicação desta diferença.

Após traçar uma tipologia dos projectos formativos e dos perfis sociográficos que subjazem aos mesmos, a investigadora conclui que as sociabilidades na escola poderiam assumir uma maior relevância no polimento das disposições dos alunos e no alargamento do sistema de referências que herdaram por via familiar, na medida em que as sociabilidades escolares parecem assumir um papel de relevo na definição dos seus projectos escolares e profissionais.

Pelo facto de as turmas serem, muitas vezes, elaboradas de acordo com a área de residência e com o aproveitamento escolar dos alunos, elas acabam por homogeneizar o perfil sociográfico destes e tolher a possibilidade de existir um enriquecimento dos seus projectos e expectativas (pelo menos, dos alunos com proveniências sociais mais desfavoráveis).

Frederico Cantante

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