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Inequality: Social Class and Its Consequences

D. Standley Eitzen e Janis E. Johnston (orgs.) (2007), Inequality: Social Class and Its Consequences, Boulder, Paradigm Publishers.



Trata-se de uma compilação de textos de divulgação (readings) que foram publicados nos anos mais recentes em formatos muito diversificados (artigos científicos, artigos de jornal, livros, etc.).

Na sua maior parte são textos bastante acessíveis e curtos, escritos de forma apelativa para um público mais alargado. O livro assume esse carácter informativo e de divulgação sobre a questão das desigualdades. O tom da escrita (umas vezes mais académico, noutras mais político) é, por vezes, demasiado assertivo, o que em alguns casos contribui para uma excessiva simplificação da problemática em causa. Todavia, o livro é feliz na transposição para um só volume de uma série de contributos dispersos, alguns deles escritos por autores relativamente famosos como, por exemplo, o economista Paul Krugman.

A tese central do livro é a de que as desigualdades se acentuaram na sociedade americana e que as classes ainda contam para análise dos diferentes tipos de assimetria social. Assume esta posição contra o mito instalado nos Estados Unidos conhecido pela expressão The American Dream. Os capítulos são organizados em três partes distintas: a primeira é mais geral e refere-se às diferentes dimensões da estratificação social; na segunda identifica-se um conjunto de desigualdades sectoriais (trabalho, educação, saúde, justiça, desastres naturais, etc.) medindo as suas consequências ao nível das classes sociais; por fim apontam-se na terceira parte algumas soluções progressivas para reduzir as desigualdades.

Sendo o conceito de classe central neste livro, não existe propriamente uma reflexão em seu torno, avançando-se, conforme os textos, diferentes modalidades de o operacionalizar. Apesar de ser apresentada uma tipologia logo na introdução em cinco grandes estratos, verificamos que na maior parte dos contributos as classes são definidas em termos de posse de rendimento, utilizando-se para o efeito uma partição em quintis, correspondendo o primeiro quintil aos 20% mais pobres e o quinto aos 20% mais ricos. Reduzir o conceito de classe a uma mera repartição de rendimento é, sem dúvida, problemático. No entanto, convém reconhecer que esta evidencia uma eficácia tremenda em termos do seu impacto estatístico.

Um dos textos mais interessantes sobre precisamente a desigualdade de rendimento apresenta dados bastante reveladores (pp. 52-60). Por intermédio da partição em quintis observa-se uma alteração no sentido das desigualdades ao longo de um período temporal que ultrapassa os 50 anos. Assim, entre 1950 e 1980 as desigualdades atenuaram, designadamente entre os dois estratos mais polarizados: aumenta em 17,8% a posse de rendimento na camada dos mais pobres e diminui quase no mesmo valor (15,8%) a proporção de rendimento possuído pelos mais ricos. Este quadro altera-se radicalmente nas duas décadas seguintes: entre 1980 e 2004 os mais pobres vêm diminuir em 20,8% a sua fatia de rendimento, enquanto os mais ricos reforçam em 43,8% a sua proporção de rendimento. Esta completa inversão da tendência corresponde ao inicio da era Reagan como presidente dos E.U.A. Nos capítulos posteriores, que incidem sobre cada sector em particular, esta imagem (de um intenso aumento da assimetria social) é inúmeras vezes reproduzida e confirmada.

Outro aspecto importante do livro, que desconstrói um outro mito da sociedade americana, diz respeito á análise da mobilidade social entre gerações. Conhecida popularmente como uma sociedade altamente dinâmica em termos de mobilidade social (sobretudo ascendente), alguns autores salientam precisamente a estagnação que está a ocorrer em certas camadas populacionais, nas quais os filhos não conseguem ultrapassar a posição social relativa ocupada pelos pais. Embora não utilizem o conceito, é enfatizado o carácter reprodutor da sociedade americana, onde os mais pobres têm fortes probabilidades em continuar pobres, correspondendo aos mais ricos a situação inversa. Ou seja, não só o conceito de "classe social" ainda conta para as análises sociológicas e económicas, como a América se transformou numa sociedade ainda mais estratificada. Outra questão central abordada no livro refere-se ao relativo empobrecimento das classes médias e a consequente diminuição do seu peso no sistema de estratificação social.

Renato Miguel do Carmo


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