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publicado em:  25 Novembro 2008
Relatório "Global Wage Report 2008/2009 "da OIT

Documento debruça-se sobre a evolução dos salários da população empregada nos últimos anos, avalia algumas políticas sociais e promove recomendações políticas.

A Organização Internacional do Trabalho estima que os salários médios reais vão crescer, em 2008, 0,8% nos países desenvolvidos e 2,0% a nível mundial. Em 2009, esse aumento será de 0,1% e 1,7%, respectivamente. Isto significa que os trabalhadores dos países desenvolvidos verão o volume do seu salário real diminuir 0,7% entre estes dois períodos.
Portugal é dos países da UE-27 em que o salário real menos cresceu entre 2001 e 2007 (0,59%), resultado inverso ao apresentado pelos países do antigo bloco de leste, mas também abaixo da maior parte dos países da UE-15.


Nota: não há dados disponíveis para a Itália, Irlanda e Luxemburgo.


 Embora a evolução do valor dos salários da população portuguesa seja relativamente pouco ampla, a porção do PIB português alocado ao pagamento de salários encontra-se entre as mais altas no conjunto dos países analisados neste relatório, nomeadamente nos da UE-27, no período considerado. De facto, 64,18% da riqueza gerada no país entre 2001-2007 destinou-se ao pagamento de salários, valor apenas superado pela Roménia. Importa, porém, realçar que este valor diz respeito à distribuição do PIB, e ao peso relativo que os salários aí assumem, e não ao modo como a riqueza salarial é distribuída entre os trabalhadores (ver aqui).



O relatório conclui que na generalidade dos países a porção do PIB relativa a salários tem vindo a diminuir, e indica que, entre 1995 e 2007, por cada 1,0% de aumento anual do PIB per capita houve um aumento de apenas 0,75% dos salários. Ou seja, o aumento do PIB não tem sido proporcionalmente acompanhado pela compensação dos empregados.
É, por outro lado, assinalado o baixo ritmo de aproximação dos salários auferidos pelas mulheres relativamente aos dos homens, e referido que as diferenças remuneratórias entre os 10,0% dos assalariados mais bem pagos e os 10,0% mais mal pagos aumentaram na maior parte dos países, comparando os períodos de 1995-1997 e 2004-2006. A Argentina é o país onde esse rácio assume um maior volume, o Brasil é um dos que regista uma maior diminuição desse hiato.
Conclui-se que a contratação colectiva diminui as desigualdades salariais e viabiliza uma maior equivalência entre o crescimento económico e a média salarial, e que os salários mínimos asseguram a redução das desigualdades remuneratórias entre os empregados com salários mais baixos. Afiguram-se, portanto, como instrumentos de intervenção política a implementar e/ou desenvolver.